Verdade ou Consequência

Em jovens todos jogávamos este jogo: Verdade ou Consequência? Escolhe!

Desafiávamos os nossos colegas a revelar algo potencialmente embaraçoso, com uma exigência caso não o fizessem. Testávamos a sua autoconfiança e tenacidade. E caso não o conseguíssemos, teríamos um prémio: uma tarefa que teria de ser cumprida, tipicamente com a capacidade de envergonhar ainda mais o sujeito das nossas ações. O poder estava invariavelmente do lado do desafiador e a diversão ao alcance de todos.

Em adultos, alguns destes padrões mantêm-se — e outros são diametralmente opostos.

Ensinamos aos mais novos a importância da Verdade, mas nem sempre seguimos o que dizemos. Preferimos as conveniências de curto prazo. Alteramos e ignoramos factos e interpretamo-los de forma a se encaixarem nos nossos sistemas de crenças. Mentimos a estranhos, mentimos a amigos, mentimos a familiares e a nós mesmos. Muitas vezes conscientemente, e não menos frequentemente, sem consciência de o fazermos.

No meio disto tudo, esquecemo-nos das consequências.

A ausência de Verdade traz consequências, disso ninguém tem dúvidas.

Mas as consequências não vêm apenas da falta de verdade. E não são sempre necessariamente negativas. Podemos ver a Verdade e a Consequência como conceitos separados, ou a consequência como a conclusão / lição da verdade.

Sendo assim, o que é a Verdade? Para que serve?
O seu valor está em si própria ou no seu efeito?
Há uma ‘coisa certa’? Se sim, o que é?
A ciência é uma forma válida de alcançar a Verdade? E o que nos dizem a religião e a espiritualidade?
São os estudos científicos espelho da realidade?
O que vivemos é real? O que sentimos é real? Mais: nós existimos?
Devemos ter um compromisso com o conceito de Verdade?

Confiamos que temos em nossa posse informação que nos ajudará a tomar as melhores decisões sobre as nossas vidas e as dos outros. No entanto a nossa atitude perante saúde, alimentação, questões ambientais, terrorismo, comportamentos de risco, proteção de privacidade, paradigmas económicos, e tantos outros fenómenos da sociedade indicam que vivemos muito apegados a conceitos que dizem apenas respeito aos nossos curtos horizontes e que nos impedem de nos vermos como parte de um todo, em contínuo desde há milhões de anos.

Novas verdades, novas perspetivas, novas visões para além do horizonte do nosso quotidiano, que encaixarão no futuro de novas ideias e novos projetos. Novos temas. O futuro!

Foi assim a oitava edição TEDxOporto. Dezasseis oradores com novas ideias. E mais de mil pessoas com milhares e milhares de ideias e epifanias!